Doar Fashion – moda verde

Dizem que o verde é o novo pretinho básico. Verde de ecologicamente e socialmente correto.

A tendência no mundo fashion é fazer roupa de um jeito mais ético, respeitando cada vez mais a natureza e o ser humano.

Moda sustentável, eco fashion, moda verde são hoje palavras de ordem. A indústria textil amadureceu e vem buscando adotar práticas menos poluentes. Na moda sustentável, o processo de produção deve causar o menor impacto ambiental possível, evitando o uso de recursos de forma predatória, economizando água, utilizando matérias-primas recicladas ou naturais e renováveis. É importante pensar em evitar desperdício, como sobras de tecido. É fundamental pensar nos funcionários, pagando salários dignos e oferecendo boas condições de trabalho, assim como buscar fazer parcerias com cooperativas e comunidades locais de baixa renda.

O desafio da moda verde é ser sustentável, desde o plantio de sua matéria-prima até seu consumo, passando, claro, pela confecão da roupa. E quando o assunto é consumo, as pessoas querem cada vez mais produtos duráveis e não descartáveis como no passado. Se antes a moda era feita para durar apenas uma temporada, hoje é fashion pensar em dar o maior uso possível a uma peça de roupa.

O evento Doar Fashion, (17 e 18/10), no Rio, busca dar vida nova (e longa) a peças de roupas, acessórios e objetos de decoração usados e reverter a verba obtida com a venda desses produtos para cerca de 20 instituições de caridade. Uma forma super atual de aumentar a vida útil de um produto, fazer a mercadoria circular mais tempo e ajudar a quem precisa.

Usados e novos

Se na primeira edição do bazar, em 2011, todas as peças eram usadas, já na segunda edição marcas nacionais passaram a disponibilizar artigos para ajudar o evento e mostrar que estão engajadas no conceito da sustentabilidade. Em 2012, 11 grifes doaram produtos. Este ano, o número aumentou para 130! Uma delas é a Osklen, marca que vem fazendo história na moda brasileira por usar mais de 20 tipos de materiais de origem reciclada, orgânica e natural para fazer suas coleções. O dono e designer da grife, Oskar Metsavaht defende que luxo é melhorar a qualidade de vida em nosso planeta, comprar menos produtos, melhores produtos e produtos que saibamos sua origem.

Matérias-primas

Entre as principais matérias-primas da moda verde está o algodão orgânico, produzido sem uso de fertilizantes, pesticidas ou qualquer outro produto químico que danifique o solo e afete a saúde do ser humano.

As lavouras de algodão são as que mais utilizam agrotóxicos no mundo. Por não ser comestível, existe a cultura de que não existe problema em usar produtos químicos nessas plantações. Resultado: dados indicam que o cultivo de algodão convencional consome um quarto de todo o inseticida usado no mundo.

As lavouras de algodão orgânico mais modernas reutilizam a água, reduzindo ainda mais o impacto ambiental do cultivo. E para ser 100% orgânico, o algodão precisa passar por um processo de tingimento somente com pigmentos naturais, extraídos de cascas de árvores, folhas, raízes …

Outra fibra muito importante para a indústria da moda verde é o bambu, pois ele cresce bastante rápido e de forma abundante, sem a necessidade de uso de produtos químicos. Além de ser biodegradável, a fibra de bambu é macia e antibactericida (possui uma propriedade natural que elimina bactérias).

A juta, bastante semelhante ao linho, é outra planta bastante importante no mundo da moda sustentável. Típica da região amazônica, é muito bem cultivada somente com água, sem a necessidade de agrotóxicos.

Garrafas PET também são um importante insumo dessa indústria. Depois de usadas, elas podem ser recicladas e transformadas novamente em um tipo de fibra que, misturada ao algodão, se torna o chamado poliester reciclado.