Plásticos e corais: a Noruega dá o exemplo

A Noruega é o país que tem o melhor esquema de reciclagem de garrafas plásticas do mundo. O país reciclou, em 2016, quase 600 milhões de garrafas, ou seja, 97% de todas as garrafas PET consumidas. E os corais marinhos agradecem.

O governo norueguês e a sociedade civil fizeram, cada um, a sua parte e todos se beneficiam da iniciativa. Em diversos estabelecimentos comerciais noruegueses existem máquinas que recompensam as pessoas que devolvem as garrafas depois de consumidas com uma pequena quantia de dinheiro. A recompensa é paga pelos próprios fabricantes de bebidas, que, quando aderem ao programa, conseguem do governo uma redução de impostos.

máquina troca garrafas pet por dinheiro
Foto: internet

Iniciativas assim podem salvar o planeta. Os bilhões de pedaços de plástico que poluem mares e oceanos estão causando ainda mais problemas do que tínhamos conhecimento até agora. Pesquisadores descobriram que o lixo plástico não reciclado, que acaba indo parar nas águas, tem sido responsável por deixar os corais doentes.

O estudo foi conduzido por especialistas da Universidade Cornell, dos Estados Unidos. Foram examinados 125 mil corais localizados na Ásia e no Pacífico, incluindo recifes próximos a Indonésia, Austrália e Tailândia. Nas áreas com grande quantidade de plástico, eles descobriram que 89% dos corais estavam contaminados e sofrendo alguma doença em consequência da presença desse material.

Os corais podem formar grandes colônias e são fundamentais para a manutenção da biodiversidade marinha, principalmente em águas quentes. Uma em cada quatro espécies marinhas vive próxima aos recifes, incluindo cerca de 65% dos peixes, e todos esses organismos dependem dos corais para sobreviver.

Corais e peixes
Cerca de 65% dos peixes vivem próximos aos recifes de corais. Foto Pixabay

O plástico presente nos mares deixa os corais doentes, bloqueando seu ar e seu oxigênio. Além disso, pedaços de plástico ferem esses organismos, produzindo cortes em sua superfície, permitindo que se infeccionem e que contraiam doenças.

“Corais são animais como nós, eles se machucam e podem pegar infecções”, diz Joleah Lamb, principal responsável pelo estudo. Segundo sua pesquisa, os pedaços de plásticos carregam uma grande quantidade de micro-organismos e, quando um coral é atingido por esse material, é como se estivesse sendo cortado por uma faca extremamente suja.

Segundo a ONU, pelo menos oito milhões de toneladas de plástico são descartadas nos oceanos todos os anos. Nesse ritmo, em 2050 os mares terão mais plástico do que peixes.

Além dos problemas causados pelo plástico, os corais estão também ameaçados pelo aumento da temperatura das águas dos mares e dos oceanos. Em várias regiões do mundo, o aquecimento global já está provocando a morte de grandes áreas de recifes.

Iniciativas de reciclagem de plásticos existem em diversos países, mas a Noruega alcançou a taxa de 97% de reciclagem do material ao conciliar o interesse dos fabricantes com o do consumidor final. É um bom exemplo a ser seguido por outros governos e pela sociedade civil preocupados com o equilíbrio do ecossistema marinho.

 

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