Repensadores: “Cívico deveria ser nome próprio”

Uma vez por mês eles se reúnem, em São Paulo, para repensar o mundo e discutir novas formas de contribuir para o desenvolvimento da sociedade. E uma vez por ano organizam um ciclo de palestras super construtivo para levar esses pensamentos ao público. Eles são cerca de 20 profissionais das mais diferentes áreas que formam a rede Repensadores, idealizada pela agência de comunicação Repense. Esta semana, o encontro aconteceu no centro de inovação social Civi-co, que acaba de ser inaugurado em Pinheiros, e o Muda Tudo, que adora falar de transformação, teve o prazer de participar do debate.

Encontro anual da rede Repensadores, no Civi-co, SP
Encontro anual da rede Repensadores, no Civi-co, SP

Foi um dia inteiro de palestras, com o tema “Olhares sobre a inovação, a ética e a integridade.” 12 palestrantes falaram sobre os caminhos que estão trilhando para construir uma nova realidade alinhada com um mundo baseado na sustentabilidade social e ecológica.

Um dos destaques do dia foi a palestra da Diretora de Planejamento e Núcleo de Fundraising da Repense, Vivian Fasca, que há 18 anos trabalha com o Terceiro Setor. Vivian falou sobre a importância de campanhas para mobilizar a sociedade para temas que não têm grande destaque na mídia como, por exemplo, o casamento infantil e seus consequentes problemas, como gravidez precoce, evasão escolar, abuso sexual, violência doméstica … Vivian mostrou números impressionantes, que deixaram a plateia impactada: o Brasil é o quarto país do mundo em número de casamentos infantis (ou seja, de meninas de 12 a 17 anos). Para mudar esse triste quadro, a agência criou a campanha “Diga não ao casamento infantil para a ONG inglesa Plan (doeplan.org.br): “Foi fundamental a participação das mídias digitais para disseminar essa campanha.”.

Vivian Tasca, da Repense
Vivian Fasca, da Repense

Outra repensadora a discursar foi Roberta Rivellino, da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (www.fmcsv.org.br)que hoje trabalha principalmente com temas ligados à primeira infância . Roberta também falou de causas que precisam chamar a atenção das pessoas, como a importância de se criar vínculos fortes entre pais e filhos antes dos 6 anos de idade. “Nossa missão é gerar e disseminar conhecimento para transformar o mundo. Descobrimos com uma pesquisa que só 14% dos entrevistados consideravam a primeira infância importante para o desenvolvimento da criança.” Com esse objetivo, a Fundação, junto a importantes parceiros, criou o documentário “O Começo da vida”, lançado no ano passado e que já está sendo exibido em mais de 90 países. “A gente queria fazer um filme e fez um movimento incrível. Ninguém ficou dono da causa porque a causa era de todo mundo.”

Roberta Rivellino, da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal
Roberta Rivellino, da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal

 

A luta de Erich Burger, da ONG Recicleiros (www.recicleiros.org.br), é o lixo. A ONG há 10 anos se dedica ao desenvolvimento de soluções para a gestão sustentável de resíduos sólidos no país. Um dos focos da organização é a coleta seletiva com a inclusão de catadores, que segundo Erich já chegam a um milhão no Brasil. “O Brasil é campeão mundial de reciclagem de latinhas de alumínio, com um índice de 96%, mas isso na verdade é o retrato de uma situação de miséria e subemprego, um retrato de fragilidade social. O mercado de lixo só não dá muito dinheiro para os catadores (eles ganham em média R$ 570,00 por mês).” Ele explicou que o quilo do alumínio custa R$ 4,20 e que só 10% dos catadores trabalham de forma organizada em cooperativas. “90% trabalham puxando carroça em aterros.” A proposta da Recicleiros não se baseia em inovação e tecnologia, mas em harmonizar interesses e relações.”

Erich Burger, da Recicleiros
Erich Burger, da Recicleiros

Nélio Bilate, da empresa de consultoria NBHeart (www.nbheart.com.br) fez uma apresentação super inspiradora sobre propósito de vida. O trabalho dele é fazer com que pessoas e organizações despertem para suas verdadeiras paixões e talentos e consigam assim ser mais eficientes e engajados em seus trabalhos e consequentemente mais felizes. “Eu acredito que a mudança social pode ser feita através das corporações.” Nélio tinha acabado de chegar do México, onde ao lado de um grupo de executivos visitou a cidade de Jojutla, totalmente devastada pelo terremoto que abalou o país em setembro. “Eu nunca tinha visto tamanha destruição. Eu encontrei uma freira, diretora de uma escola que foi absolutamente destruída, e ela me disse: quando eu vi isso tudo destruído eu olhei para mim mesma e entendi que eu estava viva para reconstruir.” “Isso é propósito,” reforçou Nélio.

Nelio Bilate, da NBHeart
Nelio Bilate, da NBHeart

Propósito, liderança, civilidade, conexão, ética, amor, flexibilidade, criatividade, comprometimento, inovação, ética e integridade. Valores presentes em cada uma das palestras do dia e que apontam para um mundo no qual o homem precisa, acima de tudo, reaprender a ser humano.

PS: Ah, a frase do título deste post é do Nélio!

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