Arquitetura vegetariana

Casas de bambu. O material parece frágil mas, ao contrário da aparência, o material é extremamente forte e tem um super ponto a seu favor: além de não poluir, é rapidamente renovável.

É por essas e outras que cada vez mais arquitetos e engenheiros defendem o uso desse material, que tem a resistência comparável ao aço, apesar de ser leve e flexível.

O colombiano Simon Velez é um dos arquitetos mais famosos do mundo, por promover o uso do bambu como material fundamental de seus projetos. Nascido em Manizales, em 1949, Velez cresceu em uma selva de bambu. Como o material é muito abundante na região, era considerado a “madeira dos pobres” e ignorado pelos mais ricos, que não confiavam na solidez do material.  Mas a dúvida quanto à resistência do material terminou em 1999, quando um forte terremoto atingiu a Colômbia e as estruturas de bambu sobreviveram melhor do que muitas de alvenaria.

O bambu é utilizado na Colômbia desde o período pré-colonial e, na Ásia, há cerca de 6.000 anos. A planta brota de novo logo depois do corte e cresce de forma muito rápida, cerca de 30 centímetros por dia em climas tropicais como o Brasil. Com isso, ao final de uma obra, um bambu cortado volta a ter por volta de 20 metros de altura. O cultivo da planta é ecologicamente sustentável, sendo o bambu grande absorvedor de dióxido de carbono da atmosfera.

Simon Velez tem obras assinadas em diversos países. Entre suas construções mais famosas está a Catedral Alterna Nuestra Senora de la Pobreza, na Colômbia, totalmente construída com bambu.

No México, o arquiteto projetou o Museu Nomadic Zocalo. Na China, uma pousada em Nankun Shan. Na Alemanha, um pavilhão para a Expo 2.000 de Hannover.

Simon Velez escreveu o livro “Grow your own house”, no qual defende a proposta de fazer uma arquitetura mais “vegetariana, equilibrando o mineral e o vegetal.”

Danilo Candia, brasileiro, sócio diretor da Bambu Carbono Zero, estudou e trabalhou com Velez. Ele diz que o Brasil tem potencial de movimentar mais de 10 milhões de reais por ano com construções de bambu. O problema é que o uso do material na construção civil ainda é muito reduzido, em grande parte, por causa do preconceito. Vale ressaltar que no Brasil existem 38 espécies de bambu, das mais de 70 existentes no mundo todo.

Para disseminar técnicas de construção com materiais considerados naturais ou ecológicos, como o bambu, foi criada, em 2002, a Ebiobambu (Escola de Bioarquitetura e Centro de Pesquisas e Tecnologia experimental em Bambu), que funciona em Visconde de Mauá, no estado do Rio de Janeiro.

Outros ícones da arquitetura com bambu pelo mundo:

Bali

A maior construção do mundo usando o material está em Bali, Indonésia, no vilarejo de Sibang Kaja. Trata-se de uma fábrica de 2.500 metros quadrados feita toda em bambu, das paredes ao telhado.

Vietnã

O escritório Vo Trong Nghia Architects construiu o centro comunitário da Diamond Island, uma ilha no rio Saigon, no Vietnã, que está em pleno processo de urbanização planejada. Os arquitetos criaram 8 pavilhões de bambu em um parque a beira do rio. A maior cúpula mede 24 metros de diâmetro e foi totalmente feita com bambu, parecendo uma cesta gigante.

Macau

Um concurso internacional em Macau, antiga colônia portuguesa na China, escolheu um projeto de bambu para construir um pavilhão de arte. O projeto vencedor foi do estúdio Impromptu Projects, dos arquitetos João e Rita Machado. Eles criaram uma estrutura chamada Treeplets, uma brincadeira com a palavra trigêmeos e árvore em inglês, pois o projeto mimetiza três arvores unidas por suas copas (o nome se deve à raridade dos trigêmeos e à beleza das árvores)

Na obra, foi usada uma estrutura de andaime, comum em obras asiáticas. A arquitetura procura unir cidadãos e a paisagem urbana, incentivando atividades ao ar livre. No dia da cerimonia de abertura, foi mostrado o video The Human Scale, de Andreas M Dalsgaard, que questiona o tipo de planejamento urbano necessário para que as pessoas vivam mais felizes.

Shangai, China

O escritorio chines Minax, de Shangai, fez um projeto incrível (e totalmente zen!) para a exposição internacional chinesa Aquilaria Culture Exposition & Living Space Exhibition, em 2014. A casa de chá Lotus e Bambu é um espaço feito com 500 toras de bambu, cada uma com 6 cm de diâmetro e diferentes alturas.

Madri

Mas talvez a construção de bambu mais conhecida internacionalmente seja o terminal 4 do aeroporto de Barajas, em Madrid. O projeto, do estúdio Lamela & Richard Rodgers, usou 200 mil metros quadrados de bambu, com o principal objetivo de transmitir tranquilidade aos passageiros.