Bienal das Américas: um encontro para mudar o mundo

Sete dias antes do Dilúvio, Deus orientou Noé a construir uma arca e a salvar sua família e um casal de animais de cada espécie do planeta para que, assim, o Homem tivesse uma oportunidade de recomeçar a sua história.

2017! Chegamos à conclusão de que precisamos novamente construir uma arca. Só que, desta vez, todos nós temos que caber dentro dela, se queremos salvar o planeta.

Estamos no mesmo barco e temos que remar juntos. Com esta certeza terminou a quarta edição da Bienal das Américas, evento que aconteceu entre os dias 12 e 16 de setembro, em Denver, no Colorado.

Logotipo da Bienal das Américas, realizada em Denver, em setembro
Logotipo da Bienal das Américas, realizada em Denver, em setembro

Criado em 2010 pelo então prefeito de Denver, John Hickenlooper (hoje governador do Colorado), a Bienal das Américas reúne, desde 2010, os líderes mais inovadores do hemisfério ocidental, para trocar ideias e criar as melhores formas de colaborar na luta pela solução de problemas que nos afetam todos os dias e que ameaçam nossa sobrevivência, como o aquecimento global. Empresários, representantes governamentais, líderes de ONGs, empreendedores sociais e estudantes passaram a semana compartilhando suas experiências em uma série de atividades focadas em temas relacionados à sustentabilidade. Foram 3 dias completos de palestras, workshops e mesas redondas baseados em três pilares: inovação tecnológica, participação da sociedade civil e meio ambiente.

Bienal das Américas: palestra no impton Hotel Born, em Denver
Bienal das Américas: palestra no Kimpton Hotel Born, em Denver

A TNC (The Nature Conservancy) foi um dos principais parceiros estratégicos para a realização do evento. Além de destacar especialistas ambientais da organização, a ONG convidou para a Bienal cerca de 30 jovens, de diversas partes da América Latina, que estão liderando a agenda de mudança climática regional.

“O interessante é que estes jovens que participam do evento não vivem a mudança climática desde uma perspectiva de vítima. Não vivem como se fosse algo fora de seu controle, como se não pudessem fazer nada. Pelo contrário: vivem desde o ponto de vista da ação e da solução”, disse Santiago Gowland, diretor da TNC para América Latina.

Santiago Gowland, da TNC, durante entrevista ao Muda Tudo, na Bienal das Américas
Santiago Gowland, da TNC, durante entrevista ao Muda Tudo, na Bienal das Américas

“The Nature Conservancy cresceu para se tornar a maior e mais respeitada organização internacional de preservação ambiental. Nosso crescimento é devido em grande parte à nossa abordagem sólida e focada na ciência. Mas, também é devido à nossa capacidade única de fazer com que as partes interessadas ajam em conjunto para alcançar resultados duradouros e para aumentar a conscientização sobre a preservação e recuperação da natureza”, afirmou Carlos Fernandez, diretor estadual TNC Colorado.

Debate durante a Bienal das Américas, em Denver
Arte, música e cultura fizeram parte da Bienal das Américas

A importância da interação entre as pessoas foi unanimidade no encontro. Mark Falcone, fundador da Continuum Partners e vice-presidente da Bienal das Américas, foi sempre um apaixonado por temas relacionados ao meio-ambiente e se uniu à TNC com a meta de preservar a biodiversidade. Quando adolescente, se preocupava com a baleias. Hoje, sua ambição é deixar um mundo melhor para as próximas gerações e, segundo ele, a cooperação com os mais jovens é uma peça fundamental desse processo.

Mark Falcone, vice-presidente da Bienal das Américas,discursa durante o evento em Denver
Mark Falcone, vice-presidente da Bienal das Américas,discursa durante o evento em Denver

“Nós, seres humanos, temos uma enorme capacidade de trabalhar em comunidade. O que faz a nossa espécie extraordinária é que nós temos o poder de pensar em direção ao passado e ao futuro ao mesmo tempo e, também, temos o poder de nos adaptarmos às situações. O nosso sucesso será proporcional à forma consciente que criamos e produzimos. Esperamos que, com este encontro, conseguiremos criar mecanismos que aumentarão a conscientização das pessoas e fazer com que nos mobilizemos juntos e de forma mais rápida.”

Mesa redonda durante a Bienal das Américas: jovens empreendedores sociais do Brasil discursam durante o evento
Jovens empreendedores sociais do Brasil apresentam seus projetos em mesa redonda na Bienal das Américas

Desde 2010, foram realizadas 4 Bienais das Américas  (2010/2013/2015 e 2017) reunindo milhares de pessoas. A edição de 2015 teve como tema a palavra NOW (Agora). Este ano o tema foi The long view: innovating the future (Enxergando longe: inovando o futuro).

“As relações humanas podem mudar tudo. Não há tecnologia que substitua a interação humana”, declarou Erin Trapp, CEO da Bienal das Américas. “Nosso objetivo não é somente juntar as pessoas, mas inspirá-las a agir,” concluiu.

Andrea Erickson-Quiroz, diretora executiva de segurança hídrica da TNC, ressaltou a importância de as pessoas se envolverem com o tema da falta d’água. Depois de explicar que um terço do planeta já está vivendo problemas de escassez de água, a diretora da TNC afirmou que as pessoas precisam participar do debate fazendo basicamente duas perguntas: Quem tem o mesmo problema que eu? Podemos nos juntar para resolvê-lo juntos?”

Andrea Erickson, da TNC, participa de painel sobre a água, durante a Bienal das Américas
Andrea Erickson, da TNC, participa de painel sobre a água, durante a Bienal das Américas

Entre os jovens participantes do encontro, estavam representantes dos Estados Unidos, México, Colômbia, Peru, Argentina, Uruguai, Brasil, Chile e Equador. Pierre Gutierrez, da ONG peruana Aider, que trabalha pela conservação das florestas, deixou a Bienal inspirado: “Muitas lições foram aprendidas para seguir aplicando e replicando em meu país. Espero que nossas ações tenham impacto para mudar o mundo.”

Foto tirada no final do workshop organizado pela TNC durante a Bienal das Américas
Foto tirada no final do workshop organizado pela TNC durante a Bienal das Américas. Nela: Ana Luiza Prudente e Patricia Salamonde, representando o Muda Tudo

“O resultado mais importante da Bienal são estas novas redes que emergem dela. Isso é surpreendente! A TNC está nos ajudando a encontrar uma estratégia radicalmente diferente daquela que temos tomado, para alcançar resultados melhores e mais eficientes e, coletivamente, direcionarmos a ecologia do nosso planeta para um estágio melhor. Temos que envolver as novas gerações que terão abordagens mais práticas e eficientes para a solução dos problemas. A geração mais jovem sabe o que muda tudo. Podemos direcionar os recursos que temos hoje e entregá-los para as novas gerações. Estou convicto de que elas saberão lidar melhor do que nós com os problemas e desafios do mundo”, afirmou o empolgado Mark Falcone.

“A minha geração definia as pessoas por suas diferenças. Agora os jovens se definem por suas similaridades. Eles não querem ser apenas presidente dos Estados Unidos, eles querem resolver problemas”, arrematou um dos principais palestrantes da Bienal, Jeff Martin, ex- Apple e hoje presidente da Tribal Planet.

Jeff Martin, ex-Apple, hoje Trinal Planet, faz palestra durante o evento
Jeff Martin, ex-Apple, hoje Trinal Planet, faz palestra sobre o poder dos celulares nas mãos dos jovens

Depois de uma semana de oficinas, mesas redondas, exposições de museus, concertos, arte de rua e muita inspiração, a 4ª Bienal das Américas chegou ao fim, mas com a semente de uma nova arca plantada. Semente semeada por jovens inovadores, dispostos a mudar o mundo e com a certeza que juntos são ainda mais fortes.

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