Escola de Governo para formar nova geração de líderes

São Paulo ganhou, no início de 2018, a Escola Comum – a primeira escola de governo do país. O curso de um ano, totalmente gratuito, é voltado a jovens da periferia e tem como objetivo formar novas lideranças políticas com uma visão social mais ampla.

A primeira turma teve início em março, reunindo alunos entre 16 e 19 anos. As aulas são oferecidas aos sábados por acadêmicos e profissionais de diversas áreas, de forma voluntária. Os estudantes também recebem almoço e ajuda de custo para o transporte até a escola, localizada no Castelinho da Rua da APA, patrimônio da cidade. Para terminar o ano letivo, a escola depende de doações e abriu um projeto de financiamento coletivo on-line no site Catarse.

Alunos da primeira turma da Escola Comum, em São Paulo. Foto Divulgação
Alunos da primeira turma da Escola Comum, em São Paulo. Foto Divulgação

Para se inscrever, os alunos tiveram que provar alto rendimento escolar e pertencer a família com renda mensal de até dois salários mínimos por pessoa. A primeira turma foi formada por 26 alunos, com predominância de jovens mulheres negras.

A Escola Comum é inspirada em modelos internacionais, mas adaptado para a realidade brasileira. O projeto é baseado em três pilares: conhecimento global, vínculo local/cultura popular e valores humanistas.

Nas aulas, os estudantes aprendem o funcionamento dos 3 poderes e das instituições do país, noções de economia, desenvolvimento, política e história, além de oratória e idiomas como inglês e espanhol. Em grupo, são estimulados a resolver casos e debater os grandes desafios e problemas no país.

Ao longo do ano, os jovens terão contato com lideranças de diferentes religiões, para aumentar a compreensão da pluralidade religiosa do Brasil, e com pessoas com histórias inspiradoras, que serão convidadas a compartilhar suas trajetórias.

Alunos da primeira turma da Escola Comum, em São Paulo. Foto Divulgação
Alunos da primeira turma da Escola Comum, em São Paulo. Foto Divulgação

A antropóloga Rosana Pinheiro-Machado foi uma das idealizadoras do curso e diz que as aulas buscam discutir política no sentido amplo e atento a desigualdade e aos problemas sociais. “A gente quer formar políticos de raiz, voltados para as comunidades locais, mas que saibam pensar de forma intelectual e livre”, disse em entrevista à BBC.

A evolução dos alunos da Escola Comum pode ser acompanhada pela página no Facebook.

Veja mais no Muda Tudo:

Escola cria processos que estimulam a participação social