Países da Europa buscam igualdade salarial para mulheres

A igualdade salarial entre homens e mulheres foi um dos assuntos mais debatidos de 2017. Em todo o mundo, pesquisas mostram que, apesar de diversos avanços econômicos e sociais conquistados pelas mulheres nas últimas décadas, os homens continuam recebendo salários mais altos mesmo ocupando cargos semelhantes e, muitas vezes, tendo formação acadêmica inferior. E as mulheres, cansadas dessa desigualdade, estão mobilizadas para manter essa discussão em pauta.

Como consequência, alguns países da Europa estão buscando medidas mais duras para mudar essa realidade. Nos primeiros dias de 2018, a Islândia anunciou que, a partir de agora, as empresas não só são proibidas de fazer distinção de gênero na hora de determinar salários, mas serão obrigadas a provar que praticam a igualdade no contracheque.

A medida é parte da lei Equal Pay Standard (Padrões de Igualdade Salarial, em tradução livre), aprovada pelo país em 2017. A lei determina que empresas com 25 ou mais funcionários que trabalham em tempo integral devem comprovar ao governo que pagam salários iguais para cargos iguais. As que fizerem a lição de casa irão receber um certificado; as que falharem serão punidas com multas, entre outras penalidades.

País com melhor igualdade de gênero, Islândia elegeu em 1980 a primeira presidente mulher do mundo, Vigdís Finnbogadóttir

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, a Islândia é o país com a menor desigualdade de gênero do mundo. O país possui leis sobre igualdade salarial desde 1961 e já aprovou outras regras para promover a igualdade de gêneros no ambiente de trabalho. Uma dessas leis obriga todas as empresas com mais de 50 funcionários a ter pelo menos 40% de seu quadro executivo ocupado pelo sexo feminino. Em 1980, o país elegeu a primeira presidente mulher do mundo, Vigdís Finnbogadóttir.

Apesar disso, em 2015 dados do governo mostraram que as mulheres do país ainda recebiam de 14% a 20% menos do que os homens. No ano seguinte, trabalhadoras de todo o país promoveram um dia de greve geral e saíram do trabalho às 14h38 – pela média nacional, em comparação com os homens é a partir desse horário que as mulheres começariam a trabalhar “sem salário”.

Igualdade no futebol

Em segundo lugar na pesquisa do Fórum Econômico Mundial sobre igualdade entre gêneros está a Noruega. No país escandinavo, 2018 também começou com uma decisão marcante, mais restrita, mas bastante simbólica: foi anunciado, no início de janeiro, que os jogadores das seleções de futebol masculinas e femininas passarão a receber salários iguais.

Para isso, a Federação Norueguesa de Futebol reduziu os salários pagos aos homens. Até então, os jogadores ganhavam mais do que o dobro para representar o país – o salário deles era de aproximadamente R$ 2,6 milhões e o delas, R$ 1,2 milhões. Agora todos receberão cerca de R$ 2,4 milhões.

O acordo inclui ainda que o time masculino, que fatura mais com publicidade e acordos comerciais, irá doar parte desse dinheiro à seleção feminina. Para o presidente da federação de futebol da Noruega, a mudança é um passo importante para as atletas se sentirem respeitadas.

Desigualdade no Brasil

No Brasil, a diferença de salários entre homens e mulheres ainda é grande e há poucos sinais de melhora.

No Brasil, diferença de salário entre homens e mulheres no mesmo cargo pode chegar a 62,5%. Foto Pixabay

Segundo pesquisa do Ministério do Trabalho divulgada no final de 2017, as brasileiras recebem o equivalente 84% do salário dos homens no país, considerando a média em todos os cargos e empregos formais, nos setores público e privado.

Considerando indivíduos no mesmo cargo, uma pesquisa do site de classificado de empregos Catho com 13.161 profissionais, com funções de estagiários a gerentes, constatou que a diferença entre os mesmos cargos pode chegar a 62,5%. Brasil: hora de olhar para a Escandinávia.

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