Meditação é capaz de mudar o cérebro

A meditação é uma prática que, cada vez mais, vem sendo reconhecida pela ciência como uma importante aliada da saúde física e mental. Além de trazer sensação de bem-estar, ela está associada a diminuição de estresse, de ansiedade, auxilia no tratamento de dores, depressão e insônia. E, mais do que proporcionar qualidade de vida, especialistas descobriram que a meditação, quando feita com regularidade, altera o cérebro de forma definitiva.

De acordo com estudos do campo da neurociência, a meditação influencia regiões do cérebro ligadas a sentidos como audição, memória, capacidade de aprendizado e tomada de decisões, empatia, compaixão e controle das emoções.

Neurocientista e professora de psicologia Sara Lazar estou os efeitos da meditação. Foto Reprodução
Neurocientista e professora de psicologia Sara Lazar estou os efeitos da meditação. Foto Reprodução

Um dos primeiros profissionais a investigar a fundo o poder da prática foi Sara Lazar, neurocientista e professora de psicologia da Escola de Medicina de Harvard.

Sara começou a investigar esse tipo de exercício mental quando ela mesma experimentou mudanças em sua rotina quando passou a meditar. Para provar que a diferença era real, ela selecionou pessoas que meditam regularmente há um longo período de tempo e realizou exames de ressonância magnética. O passo seguinte foi comparar a sua estrutura cerebral com a de pessoas que não conheciam a prática.

Os exames mostraram que os praticantes possuíam massa cinzenta aumentada em regiões sensoriais do córtex auditivo e o sensorial e mais massa cinzenta no córtex frontal, que é associado à memória de trabalho e à tomada de decisões. Além disso, essa área, que costuma diminuir na maturidade, em meditadores de longa data com mais de 50 anos de idade continuava semelhante à de pessoas de 25 anos.

Em outra pesquisa utilizando exames de imagem, Sara Lazar levou pessoas que nunca tinham meditado para participar de sessões de exercício mental por oito semanas, e os exames realizados antes e após o período já mostraram diferenças no cérebro. Uma das mudanças notadas foi a diminuição da região responsável por ansiedade, medo e estresse.

Richard J. Davidson examinou monges budistas enquanto eles meditavam. Foto Jeff Miller/Reprodução
Richard J. Davidson examinou monges budistas enquanto eles meditavam. Foto Jeff Miller/Reprodução

Outro cientista que se dedica a estudar o poder de meditação é Richard J. Davidson. Ph.D em psicologia e fundador do Centro para Mentes Sãs, da Universidade de Wisconsin (EUA), há décadas Davidson estuda questões de felicidade e bem-estar e também levou a meditação para o laboratório.

Para provar o poder da prática, Davidson examinou monges budistas enquanto eles meditavam e demonstrou diferenças na atividade cerebral que podem ser associadas a emoções positivas e bondade. Os resultados de alguns de seus estudos estão registrados no livro “A ciência da meditação: Como transformar o cérebro, a mente e o corpo”.

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