Brasileiros ganham prêmio por pesquisas contra testes em animais

Dois pesquisadores brasileiros estão chamando a atenção internacional por seu trabalho para mudar a maneira como são feitos os testes em animais.

Carolina Motter Catarino e Renato Ivan de Ávila Marcelino ganharam recentemente o prêmio Jovem Pesquisador, oferecido pela Lush, empresa internacional de cosméticos artesanais. Ela pelo desenvolvimento de modelos de pele 3D e ele por seu estudo sobre um novo método para realização de testes de alergia.

O prêmio Lush é dado anualmente para projetos que representem um avanço na busca de alternativas ao uso de animais em testes de laboratório. Carolina e Renato ganharam cerca de R$ 43 mil cada para investir na continuidade de suas pesquisas.

Carolina Motter Catarino desenvolve pesquisa de novo modelo de pele artificial. Foto Reprodução

Carolina Motter Catarino está desenvolvendo a impressão 3D de modelos de pele humana para substituir os testes em animais. O projeto, que vem sendo aprimorado no Instituto Politécnico Rensselaer, nos Estados Unidos, tem chamado a atenção da indústria cosmética e farmacêutica.

O projeto é resultado da pesquisa de doutorado de Carolina e tem como objetivo aperfeiçoar a complexidade dos já existentes modelos de pele criados por meio da impressão 3D, para torná-los viáveis para testes mais completos.

O estudo de pele artificial feita com a tecnologia de bioimpressão está evoluindo em todo o mundo. Em sua pesquisa, Carolina Catarino propõe o uso de diferentes células e a reprodução dos folículos capilares próprios da pele humana, para tornar os modelos impressos mais próximos da realidade. Além de pôr fim à necessidade de uso de animais em testes farmacológicos, essa nova pele poderá ser usada no tratamento de queimaduras.

Nascida em Curitiba, a biotecnóloga se formou em Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia na Universidade Federal do Paraná e realiza o doutorado nos Estados Unidos com o apoio do programa brasileiro Ciências Sem Fronteiras.

Renato Ivan de Ávila Marcelino recebe o prêmio Lush. Foto Reprodução

Já o goiano Renato Marcelino atualmente conduz sua pesquisa na Universidade de Lund, na Suécia, também com apoio do Ciências Sem Fronteiras. Em seu projeto de doutorado, ele busca novas estratégias de avalição do potencial de uma substância causar alergia na pele humana.

O estudo foi iniciado na Universidade Federal de Goiás e utiliza um mapa molecular para determinar se um produto químico pode provocar alergia, dispensando totalmente a necessidade de testes em animais.

Apesar de não existirem dados oficiais, a organização internacional Cruelty Free International estima que, a cada ano, mais de 115 milhões de animais são utilizados em testes de laboratórios.

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