O futuro sustentável passa pela mobilidade social

O Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, ganhou esta semana ares ainda mais futuristas com o 8º Congresso de Desenvolvimento Sustentável. O evento promovido pelo CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) reuniu especialistas mundiais para falar sobre  como a mudança climática vai impactar a vida dos brasileiros (e de todo o mundo), uma vez que a necessidade de frear o aquecimento global promete mudar a rotina das pessoas e das empresas.

A discussão em torno das medidas necessárias para se construir um futuro sustentável foi dividida em quatro mesas com três palestrantes e um mediador em cada uma delas: “A Sustentabilidade em um cenário de crise”, “Uma nova relação dos negócios com os recursos naturais”, “O Futuro das cidades e a mobilidade sustentável”e “De onde viemos, onde estávamos e para onde vamos”.

O Congresso vem promovendo as boas práticas nos negócios e pessoas físicas, estimulando o processo de transformação e expansão do desenvolvimento sustentável.

Uma das participações mais aplaudidas na terça-feira foi a de Jailson Silva, coordenador geral do Observatório de Favelas do Rio de Janeiro. Palestrante do painel 3 ( “O Futuro das cidades e a mobilidade sustentável”), Jailson chamou a atenção para a importância da mobilidade social na transição da cidade para uma economia sustentável.

“Tradicionalmente a mobilidade é vista como uma circulação física. A mobilidade é muito mais do que isso. Nós temos 35 escolas na Maré, sendo que só 2 são de ensino médio. O tipo de mobilidade que precisamos na Maré, a maior favela do Brasil com 140 mil moradores,  é uma política integrada no âmbito da educação. Isso é mobilidade. Garantir a mobilidade educacional, a mobilidade cultural… Nós temos um equipamento, que é uma lona, para 140 mil pessoas. Nós vamos ter 7 linhas de BRTs na Maré, ou seja, as pessoas vão chegar muito mais rápido ao Centro Cultural do Banco do Brasil, por exemplo. Isso não garante que as pessoas construam condições para entrar no CCBB ou no Museu do Amanhã. Efetivamente não basta garantir a mobilidade física. Nós precisamos de mobilidades em outros níveis, a educacional, cultural, social.

Jailson disse querer discutir a questão da sustentabilidade a partir de um novo olhar para as favelas, onde no Rio, vivem um milhão e meio de habitantes. Ele ressaltou a importância de mudar paradigmas.

“A favela seria o espaço da violência, do caos. Se nós definirmos a favela a partir disso, é óbvio que nós vamos reconhecer que este espaço não pode ter sustentabilidade e vamos começar a achar que o melhor é remover os moradores principalmente para áreas mais distantes das áreas centrais da cidade. Isso é sustentável ou não? É possível uma cidade se alargar, esgarçar o seu território sendo que tem um conjunto de necessidades precisando de custeio, como saúde e educação? É necessário mudar o paradigma que orienta o olhar para a favela. Ao invés do que eu chamo de paradigma da ausência, da precariedade, o que eu proponho simplesmente é o paradigma da potência. É reconhecer que os espaços das favelas e periferias são um espaço de invenção por excelência.”