Summer Camp em Impacto Social ajuda jovens a encontrar propósito

Lembra daquela pergunta, “O que você quer ser quando crescer?” Essa baita pressão para fazer nossa escolha profissional começa cedo e fica ainda pior quando chega o fim do ensino médio. É nessa hora que a gente tem de decidir qual carreira seguir na vida. Se para as gerações passadas isso já era um desafio, imagine agora com a previsão de que metade das profissões de hoje pode acabar até 2030 e com a vontade dos jovens de trabalhar alinhados com suas missões e propósitos?

É para ajudá-los a enxergar um caminho em meio a um cenário de tantas incertezas e sonhos que a TERAVÍ, uma startup de São Paulo que desenha viagens internacionais para estudantes explorarem o mundo e desbravarem seus talentos em diferentes experiências, existe.

Foto: Pixabay

Pamela Piazentin, fundadora da Teraví, conta que ao longo das conversas de planejamento com os intercambistas foi percebendo que os jovens entre 15 e 18 anos estavam pensando a vida em uma perspectiva muito maior que o quintal da casa deles.
“De alguma forma eles tinham dentro deles uma preocupação sobre o que fazer para ajudar o mundo. Percebi que isso não era tão claro, mas havia ali nas entrelinhas uma preocupação com o coletivo, algo que não via com a mesma frequência em outras faixas
etárias.”

Pamela Piazentin em uma das viagens com a Teraví. Foto: arquivo

A Teraví foi criada em 2016, a partir do desejo da própria Pamela de diminuir as distâncias culturais e expandir o horizonte das pessoas, ao mesmo tempo em que contribui para a formação acadêmica de líderes mais inovadores e conscientes de seu lugar no mundo. Natural de Porto Feliz, cidade que fica a 120 km da capital paulista, ela assumiu um cargo de executiva da área de marketing de um grande grupo de educação que tinha tudo para ser considerado um sucesso! Mas, ao contrário de estar realizada, ela se sentia uma “pecinha no jogo de xadrez corporativo,” algo muito longe do modelo de vida sonhado.

“Eu queria muito construir uma empresa que tivesse como negócio principal a troca de cultura e de visões de mundo, porque é nesta troca que começamos a derrubar as barreiras do preconceito e a pensar na construção de um mundo melhor. Sabe aquela história que diz que cuidamos melhor quando conhecemos de perto o objeto do nosso cuidado? É isso! Eu realmente acredito que quanto mais o jovem conhece o mundo e as pessoas, melhor ele vai cuidar deles.”

Em 2018, a Teraví passou a ser uma das startups residentes do CIVI-CO, Polo de Impacto Social de São Paulo. Foi no coworking, que fica em Pinheiros, que Pamela começou a pensar na necessidade de um programa para ajudar seus alunos a pensar seu desenvolvimento acadêmico e suas carreiras também à luz do impacto que causam na sociedade.

“Eu comecei a pensar como levar a estes jovens outras informações, fazer com que eles entendam que o mundo é uma grande rede. A forma que ele age hoje não vai impactar só a ele. O lixo que ele joga aqui, vai correr o rio e vai sair 300 km lá na frente e impactar a vida de uma pessoa que ele nunca ouviu falar. Como eu posso fazer com que a nova geração de líderes, que vai entrar no mercado daqui a 5, 10 anos, venha com uma outra percepção do mundo, venha com a mente muito mais aberta, com impulso para compartilhar, para viver com mais harmonia e tolerância?… Foi nessa busca que descobri esse programa de férias para adolescentes com foco em liderança global e impacto social.”

O programa é sediado na Universidade da Pensilvânia, Universidade faz parte da Ivy League, o grupo das melhores universidades dos Estados Unidos, e todo o processo de aprendizado é feito através de simulações da vida real, workshops, palestras de líderes mundiais, e visitas a lugares como a ONU em Nova York e Washington D.C.

E pensando em trazer mais consciência social para seus alunos, Pamela adicionou um toque Teraví.

 

Foto: Facebook Teraví

 

“Senti falta basicamente de 2 coisas. A primeira de uma ponte entre a realidade que eles vão ver lá e a daqui. O programa é todo construído nos 4 pilares de desenvolvimento da ONU (Direitos Humanos, Direito Internacional, Desenvolvimento Sustentável e Promoção da Paz e Diminuição da violência), mas é realizado em uma região extremamente rica dos EUA, então como fazer essa ponte com o Brasil? Esses estudantes não serão os futuros líderes do Brasil? Como é que eu mostro a nossa realidade, como é que eu faço para eles enxergarem alguma coisa do Brasil nisso?”

A solução encontrada pela empreendedora foi viajar junto com o grupo e realizar alguns encontros fora do calendário oficial, onde ela irá discutir um pouco da realidade do Brasil.

“A ideia é a gente falar dos principais problemas que a gente tem aqui, como é que eles enxergam esses problemas, à luz de tudo o que eles estiverem vendo lá.”

A segunda atividade que Pamela traz como complementação ao Programa é dar continuidade à experiência na volta ao Brasil, com um acompanhamento e direcionamento do impacto gerado nos estudantes.

“Eles vão lá, fazem o programa, e depois voltam e continuam a vida, sem nenhuma conexão com o mundo daqui. Por isso adicionei um encontro no final da viagem no qual cada um desses alunos vai poder dizer o que achou e se existe alguma área que ele gostaria de conhecer mais. E se de fato eles tiverem interesse, vou conectá-los com um empreendedor social para que eles tenham uma ideia mais concreta do que é este trabalho na vida real.”

Além das 2 atividades, Pamela pretende também fazer com que estes jovens entendam impacto sob uma perspectiva mais ampla, uma vez que a palavra que vem ganhando mais força com o crescimento do empreendedorismo social.

Foto: Facebook

“Quando conversamos sobre como eles podem ajudar a humanidade, percebo que eles estão presos a uma concepção muito fechada sobre o tema, a meu ver: a de que é necessário ter uma ONG ou trabalhar em alguma empresa que esteja ligada diretamente a um grupo social desfavorecido. E gerar impacto social positivo não está relacionado necessariamente com isso, até porque arquitetos, economistas, veterinários, estilistas e advogados não vão deixar de existir. O importante é que com essa experiência, independente da opção de carreira, estes jovens possam questionar se estão causando um impacto positivo dentro de suas realidades. Imagina um veterinário que cuida de um Haras, ele pode pensar em como reaproveitar a água do Haras, em cuidar melhor do solo, em conhecer a cadeia de produção da comida dos cavalos, em contratar as pessoas de forma correta…”

Foto: site Teraví

Essa é a semente que Pamela espera plantar no coração de cada jovem que irá embarcar na aventura educacional do que ela carinhosamente de Summer Camp Social. Como todos os demais viajantes que passaram pela startup, eles passarão a fazer parte de uma Comunidade de gente inquieta e transformadora, os Teravienses.

“Um Teraviense traz uma inquietação dentro de si, às vezes até em forma de angústia. Como é que eu posso transformar essa angústia em combustível, algo construtivo? A gente não fala disso com os jovens. A gente não fala sobre impacto, vida em rede, colaboração, comunidade… As escolas passaram a falar muito sobre o impacto da tecnologia na vida e nas carreiras profissionais, mas o impacto social pouca gente aborda. O Summer Camp é uma oportunidade de autoconhecimento, desenvolvimento acadêmico e troca cultural, é uma verdadeira mudança de chave!”

O Summer Camp Social acontece de 30/06 a 27/07, na cidade da Filadélfia.

Público: 14 a 18 anos

Inscrição: Como o número de vagas é limitado, envie um email para [email protected], ou uma mensagem para (11) 97804-8265, contando por que você é perfeito para o programa, seu nome, idade, cidade, escola, email e telefone para contato.

Para mais detalhes do programa, acesse o link: http://teravi.com.br/campanhas/summercamp-social/

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